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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Cicatrizes

As cicatrizes são o culminar de determinados processos de cicatrização que ocorrem na pele, quando esta é lesionada. E a pele pode ser lesionada de muitas maneiras, desde traumatismos a doenças, não esquecendo as cirurgias.

Isto é do conhecimento geral, agora o que poucos sabem é o impacto que as cicatrizes podem ter no corpo.




Primeiro que tudo as lesões na pele não são todas iguais, logo os processos de cicatrização não ocorrem todos da mesma maneira, e nem culminam todos da mesma forma. Mesmo quando o resultado são cicatrizes, isso não significa que sejam todas iguais, existem diferentes tipos de cicatrizes. 

Umas têm impacto no corpo, outras não. Isso varia em função, não só do tipo de cicatriz, como também da localização.

Quando a lesão na pele atravessa a epiderme, atravessa a derme, e chega até a lesionar a hipoderme, então vamos ter uma cicatriz que muito provavelmente terá influencia no corpo através da afetação do tecido conjuntivo. Como já expliquei na publicação tecido conjuntivo, não existem vários tecidos conjuntivos, existe apenas um que percorre todo o corpo, quando está lesionado (neste caso em concreto "cortado") tudo o resto é afetado. Perde a sua elasticidade contraindo e arrastando as estruturas em volta, na direção da contração, prejudicando também as funções metabólicas do próprio tecido conjuntivo.

E por falar em funções metabólicas, estas também podem ser prejudicadas por cicatrizes resultantes de lesões na derme. Na derme encontram-se vários receptores de informação exterior, entre outos temos os neuromioarteriais que controlam a pressão sanguínea. Quando há uma cicatriz que afeta o normal funcionamento destes receptores (por exemplo, o simples roçar da roupa na cicatriz pode desestabilizar), haverão secreções continuas de adrenalina que provocarão disturbios no metabolismo.

E se estes recetores podem ser afetados, é lógico pensarmos que os outros também serão afetados. No caso dos propriocetores, a partir do momento que se desenvolve a cicatriz, passam a ser constantemente estimulados e vão a transmitir constantemente informação incorreta sobre a tonicidade a que devem estar os músculos em volta.

Mais evidente ainda é a perda de sensibilidade que ocorre muitas vezes nas zonas em volta das cicatrizes, originada também pelo dano causado aos receptores.

Quero referir que todo este processo não ocorre do dia para a noite (salvo casos raros), regra geral demoram meses e anos a manifestarem-se os efeitos no corpo.

É preciso fazer um correta avaliação das cicatrizes, não esquecendo o historial clínico, visualização, e palpação. Um profissional de saúde capacitado consegue só através das cicatrizes que a pessoa apresenta (quando as tem, obviamente), fazer um esboço do seu quadro clínico.

E é fundamental tratar as cicatrizes, pois estas muitas vezes são as causas dos problemas, e outras vezes são obstáculos que não permitem o tratamento ter 100% de sucesso. Existem vários tipos de tratamentos para cicatrizes, que devem ser elegidos de acordo com a cicatriz e com o paciente em questão.
Quando falo em tratamento, não me refiro a fazer desaparecer a cicatriz, mas sim a fazer com que o impacto que tenha no corpo seja atenuado ou até mesmo erradicado. 

Tendo em conta tudo isto, quando se coloca a hipótese de termos de fazer uma cirurgia, convinha averiguarmos o tipo de cicatriz com que vamos ficar, se poderá advir daí alguma consequência, e o que poderemos fazer para a evitar.

Há também certos casos em que determinados sinais no corpo desenvolvem-se de tal forma que podem ter o mesmo impacto que as cicatrizes.

domingo, 15 de novembro de 2015

Osteopatia e Desporto

Quer façamos desporto como manutenção ou de alta competição, a osteopatia pode ser uma grande aliada.




A atividade desportiva traz-nos imensos benefícios para o corpo, genericamente podemos dizer que, a prática desportiva purifica o corpo, aumentando a qualidade do sangue, e como este chega a todas as partes, todos os nossos Sistemas são beneficiados. 

Mas a prática desportiva assenta, maioritariamente, sobre três Sistemas - nervoso, muscular, e esquelético. E estes três Sistemas só saem beneficiados com a prática desportiva quando se encontram em boas condições, caso contrário, são prejudicados com a prática desportiva, pois não há lesões que se curem na totalidade a fazer desporto. Ao invés disso, treinar lesionado pode mascarar e agravar a lesão.   

É fácil perceber a lógica disto, o nosso corpo está estruturado de uma forma magnifica que, regra-geral, não há só um músculo principal para cumprir determinada ação, existem músculos secundários a auxiliarem a ação do músculo principal. Quando este músculo principal se lesiona, não quer dizer obrigatoriamente que a ação se deixe de realizar, pois pode continuar a ser realizada pelos músculos secundários, mas ao não ser tratada essa lesão, o músculo principal lesionado vai agravando, e os músculos secundários ao estarem a fazer um esforço extraordinário continuamente também acabarão por se lesionar.

Situação idêntica acontece com as sub-luxações, regra-geral são mais frequentes ao nível da coluna vertebral. Imaginemos que, por qualquer razão, uma vértebra roda para fora da sua posição habitual, e andamos com dor algumas semanas, não muito forte e vamos suportando, continuamos com a mesma atividade desportiva que antes, e muitas das vezes a dor acaba por passar a curto e médio prazo, mas isso não significa, nem de perto nem de longe, que o problema tenha ficado tratado. Significa que os ligamentos deixaram de enviar informação ao cérebro a avisar do sinal de dor, isto porque as vértebras acima e abaixo da vértebra sub-luxada, adotaram posições compensatórias, precisamente para aliviar a dor. O que antes era uma vértebra sub-luxada, agora são três, e a tendência é este processo continuar.

Estas rotações vertebrais prejudicam a circulação sanguínea e linfática, e dependendo do local onde ocorrem prejudicam também a comunicação nervosa em determinados setores, assim como a amplitude de movimentos é comprometida.

A comunicação nervosa quando prejudicada origina um problema semelhante ao já descrito. Se o cérebro não consegue comunicar com o músculo principal, este não irá realizar a ação corretamente, a ação será realizada pelos músculos secundários, o músculo principal não se desenvolverá ao mesmo ritmo que o da outra parte do corpo, e irá criar-se um desequilíbrio importante no corpo. Aqui estou a descrever um processo indolor, que só nos damos conta quando já existe uma diferença considerável, e pensamos sempre que é normal, mas não é.

Todos estes exemplos de lesões que descrevi aqui, normalmente não nos impossibilitam o treino, mas alteram o nosso equilíbrio, obrigam o nosso corpo a esforçar-se mais durante a atividade desportiva, prejudicam o nosso desempenho, e a longo prazo podem mesmo ser impeditivos.

A osteopatia avalia e poderá tratar lesões nos três Sistemas nervoso, muscular, e esquelético. Deixando-nos o caminho livre de obstáculos da nossa estrutura, para podermos ir sempre melhorando o rendimento.

sábado, 31 de outubro de 2015

Trabalho versus Saúde

Vivemos numa sociedade que contempla as profissões. Muitas das vezes a primeira coisa que nos perguntam, após nos conhecerem, é qual o nosso trabalho ou qual a nossa profissão.

Será que a nossa profissão nos define? Será assim tão importante o nosso trabalho?


Vivemos num sistema controlado pelo dinheiro, atualmente, sem dinheiro não é possível viver. Para muitas pessoas o seu trabalho é apenas um meio de subsistência, uma forma de obterem dinheiro. Muitas delas nem gostam daquilo de fazem, apenas o fazem por necessidade. E quanto maior a necessidade, mais trabalham.

Para outras a sua profissão é uma forma de vida. Dedicam toda a sua vida à profissão, entregam-se completamente ao trabalho, sem nada mais importar.

Também existe quem pura e simplesmente não queira colocar as suas capacidades (inteligência, criatividade, etc...) ao serviço de um sistema controlado por dinheiro, opte por um emprego que a ajude a obter o mínimo de sustento e dedica o resto do seu tempo às causas que acredita.

Independentemente do motivo pelo qual trabalhamos, seja por necessidade ou por prazer, embora não acredite que o nosso trabalho ou profissão nos possa definir, acredito sim que o nosso trabalho nos influencia, talvez não tanto a curto prazo, mas a médio e longo prazo isso é certo. Até certo ponto condiciona a nossa forma de ser, e mais irrevogavelmente condiciona a nossa saúde.

Vou-me limitar a falar na saúde física, nem vou falar na saúde mental, que todos bem sabemos o quanto pode ser afetada pelo nosso trabalho.

A nossa saúde pode ser diretamente condicionada, ou através da alteração da postura.

A postura é a atitude inconsciente que o nosso corpo adota. Na publicação Posturologia escrevi uma definição mais alargada de postura, e como ela é definida. Mas há certos aspetos que a condicionam, e um deles é o nosso trabalho.

Basta pensarmos no numero de horas que passamos a trabalhar, regra-geral, cerca de 1/3 do dia é passado a trabalhar. 8 horas do dia que são passadas a fazer movimentos repetitivos, ou na mesma posição, ou ainda a esforçarmo-nos fisicamente.
Quando fazemos movimentos repetitivos, normalmente desenvolvem-se mais os músculos que são usados com mais frequência, e quando a circulação sanguínea não é feita corretamente nesses músculos, podem-se originar lesões graves. Tanto postura como saúde são afetadas.
Quando passamos muito tempo a trabalhar na mesma posição, ao longo de todo esse tempo há músculos que estão a ser contraídos, e há outros que estão relaxados. Com o passar do tempo certos músculos ficam tensos em demasia, e outros perdem a ação ficando débeis. Estou-me a referir a um processo que demora anos, e que desequilibra completamente a nossa postura. Mais dia menos dia os sintomas acabam por se manifestar.
E o mesmo acontece quando nos esforçamos fisicamente em demasia no nosso trabalho.

Contudo, os efeitos do nosso trabalho podem ser atenuados. O primeiro a fazer é verificar se os elementos que definem a nossa postura estão a funcionar corretamente, deforma a suportarmos melhor o impacto do trabalho no corpo. Se a nossa postura já é má, pior ficará com a agravante do trabalho. Se a nossa postura está relativamente equilibrada, já não iremos notar tanto o efeito do trabalho.

Convém também fazermos algo para estimular todos os músculos que não são solicitados durante o tempo que estamos a trabalhar, e para descontrair os que são solicitados em demasia. Também nos devemos certificar de que não existam bloqueios na estrutura que podem interferir com a circulação sanguínea e linfática, assim como com a comunicação nervosa. Todos estes aspetos são considerados por um osteopata.

Em casos mais extremos poderá realmente haver necessidade de a pessoa mudar de emprego. Não compensa todo o tempo que dedicamos ao trabalho, em troca de dinheiro, se a nossa saúde sair gravemente prejudicada. Pois o que acontece em seguida, é termos de usar o dinheiro que ganhamos a tentar recuperar a saúde que perdemos.

domingo, 6 de setembro de 2015

Fibromialgia

Ainda há pessoas que dizem só acreditar naquilo que vêm. Para essas há cerca de 200 mil embustes em Portugal, são o numero de pessoas diagnosticadas com fibromialgia.


A fibromialgia é uma síndrome, não tem causa conhecida (ou pelo menos consensual), não existe um conjunto de sintomas específicos que a permitem identificar peremptoriamente, nem sequer é possível descrever as suas consequências anatómicas. Não é possível vê-la em qualquer tipo de exame, e as análises não podem ser consideradas conclusivas, pois muitas das alterações analíticas encontradas em pessoas com fibromialgia, são as mesmas encontradas em pessoas com outras síndromes e doenças.

Isto leva-nos à pergunta, será que existe mesmo a fibromialgia?

Qualquer pessoa diagnosticada com fibromialgia, assim como qualquer familiar, não tem a mínima dúvida disso. Sentem as dores, as limitações, assim como a persistência dos mesmos, dia após dia, mês após mês, ano após ano...

Se a fibromialgia existe porque se sente, mas não se vê, como é possível defini-la, diagnostica-la, e trata-la?

Foi delineado no meio médico que qualquer pessoa que apresente um determinado numero de pontos dolorosos específicos, assim como tenha dor generalizada há mais de 3 meses (dor crónica), e apresente outros sintomas classificados como secundários (cansaço, alterações cognitivas, etc), seja diagnosticada com fibromialgia. É claro que deveriam ser realizados previamente exames e análises para despistar outros tipos de doenças e síndromes.

Podemos dizer que qualquer pessoa que tenha dor generalizada no corpo, cuja a causa não seja conhecida pela medicina convencional, e os sintomas prevaleçam por mais de 3 meses, tem fibromialgia.

Há quem defenda que a fibromialgia é uma alteração no sistema nervoso e endócrino que faz com que o cérebro interprete sinais de dor erroneamente. Contudo, até à data, ainda não se verificou isso através de qualquer tipo de análise ou exame.

Também vem muitas vezes associada a alterações emocionais. A medicina convencional ainda está na dúvida se as dores persistentes originam alterações emocionais, ou se pelo contrário, são as alterações emocionais que originam dores persistentes. 

E quanto ao tratamento? Ora bem, se estamos a falar de uma síndrome, que não se sabe a origem, o que há a fazer é tratar a sintomatologia. Aqui em Portugal o mais frequente é o uso de fármacos anti-inflamatórios, relaxantes, anti-depressivos, etc. Creio que não é preciso referir os efeitos secundários desse tipo de medicação quando tomada continuamente por cerca de três semanas, agora imaginemos tomar este tipo de medicação ao longo de vários anos... Este tipo de medicação acaba por contribuir para a cronicidade da fibromialgia, pois intoxica o organismo a longo prazo, tornando cada vez mais difícil a sua recuperação. Se por um lado pode ajudar a melhor a sintomatologia, ainda que a grande maioria das vezes deficientemente, por outro lado prejudica as funções de diversos sistemas.

Qual é então a alternativa?
A alternativa é um tratamento multidisciplinar. Já referi várias vezes aqui no blog que a saúde é definida por diversas variáveis, e trabalhando sobre elas é sempre possível melhorar a sintomatologia.

Com Posturologia pode se encontrar a causa dos desequilíbrios estruturais procurando se há algum elemento que define a postura em disfunção. Verifica-se também a origem de cada ponto de dor separadamente: se é dor reflexa ou localizada, se tem lesões antecedentes no local de dor que possam não ter sido devidamente tratadas, etc...

Só após se encontrar a causa é que se poderá definir um tratamento, que pode passar por sessões de osteopatia, algum tipo de exercício físico, pode ser necessário alterar a alimentação e os hábitos. 
Poderá ter de ser encaminhada para outro profissional de saúde como um psicólogo, ou podólogo, etc... Até poderá ser necessário tratar-se simultaneamente com vários profissionais.

Infelizmente a grande maioria das terapêuticas que referi aqui, e que são as que mais resultados têm dado nos doentes diagnosticados com fibromialgia, não vêm previstas no Sistema Nacional de Saúde. Sistema este que continua a privilegiar o uso de fármacos com incidência na sintomatologia, e enquanto assim for vamos ter muitas doenças classificadas como crónicas e incuráveis.

domingo, 9 de agosto de 2015

Colchão e almofada ideais

Em 50 anos de vida, se só dormirmos 7 horas por dia, passamos mais de 14 anos a dormir...

Esta constatação faz-nos refletir na importância de estarmos confortáveis durante o período do dia em que passamos a dormir, ou em que estamos simplesmente deitados, dada a impressionante quantidade de tempo que ao longo da vida passamos a dormir.

Não será importante o colchão e a almofada sobre os quais nos deitamos?

A resposta é obviamente sim.

O que já não é tão óbvio é o colchão e a almofada que devemos usar. Isto porque não existem colchões e almofadas que sejam modelos ideais para todas as pessoas.

Aqueles que podem ser indicados para uma pessoa, podem não servir para outra.

A escolha do colchão e da almofada devem levar em conta a posição ideal para a pessoa dormir e, novamente, essa posição não é universal para todos. 

A posição ideal é a posição em que a coluna vertebral se mantem alinhada, sem haver qualquer tipo de pressões sobre as vértebras e sobre as estruturas em volta. Mas o que acontece é que a grande maioria das pessoas tem alterações na coluna vertebral, ou seja, têm a coluna vertebral torta, e assim sendo, a posição ideal para dormir não vai ser aquela que alinha a coluna, é sim a posição em que mantem a coluna vertebral na sua forma habitual. 

A forma da coluna vertebral é definida pelas suas curvaturas. A coluna vertebral tem 3 curvaturas fisiológicas: a nível cervical, a nível dorsal, e a nível lombar. Estas 3 curvaturas podem estar exageradas, diminuídas, ou equilibradas. Além destas 3 curvaturas, podem existir ainda curvaturas laterais, apelidadas como Escoliose.


De acordo com a forma em que está a coluna, existirá uma posição mais indicada para dormir, e eu defendo que essa posição é sempre a posição em que a pessoa está mais confortável. Isto porque se a pessoa não está numa posição confortável não vai conseguir descansar satisfatoriamente, e não é por forçar posições desconfortáveis que resolverá as alterações na coluna vertebral. Além de que essas alterações se podem agravar mais não havendo um descanso adequado.

Agora quando a pessoa tem a coluna vertebral, minimamente, sem alterações, aí sim poderemos já falar na existência de posições ideais para dormir, contudo é mais um tema que não reúne consenso. 

Pessoalmente acredito que a melhor posição para uma pessoa saudável dormir é de barriga para cima, podendo colocar um apoio por baixo dos joelhos, e uma almofada baixa centrada na nuca. Volto a referir que esta posição é para uma pessoa saudável.

Se a pessoa sendo saudável, optar por dormir em outra qualquer posição, o que recomendo é que não durma sempre na mesma posição, altere de forma a não se habituar a dormir apenas nessa posição. Pois a posição de dormir, ao ser forçada, dificilmente corrige a estrutura, mas o inverso é possível, a posição de dormir pode ser causa de dores e de disfunções na estrutura. Por exemplo, se dormir de lado, não durma sempre para o mesmo lado.

A posição em que a pessoa deve dormir vai definir o colchão e almofada a usar, pois de acordo com a acentuação das curvaturas da coluna, dar-se-à melhor num colchão mole ou duro, numa almofada alta ou baixa.

Existem outros parâmetros que a pessoa deve levar em conta quando escolhe um colchão, nomeadamente o peso e a altura da pessoa, durabilidade do colchão, temperatura, alergias, etc...

Existem diferentes tipos de materiais, não vou mencionar nenhum, pois conforme já referi não é possível determinar o ideal para todos, o que deve ser levado em conta é o conforto que se sente ao se estar deitado.

As alterações da coluna vertebral devem ser tratadas por profissionais de saúde, não vai ser a troca de um colchão ou de uma almofada que vai corrigir problemas na estrutura, é verdade que pode ajudar a melhorar, mas só por si não resolve o problema.

Outro aspeto interessante é que à medida que a pessoa vai corrigindo os desiquilíbrios que tem na coluna, consegue ir alterando a posição em que dorme, enquanto antes só conseguia dormir em determinada posição, passa a conseguir dormir em outras posições, podendo também dormir com outras almofadas e colchões. 

Isto é a prova de que, a posição, o colchão, e a almofada, não são os aspetos mais importante para o nosso descanso, o mais importante é a forma como temos a nossa coluna vertebral.

Por isso recomendo que antes de adquirir qualquer colchão ou almofada devido a qualquer tipo de dor ou perturbação, deve consultar um osteopata, para saber se isso é realmente a causa do problema, e se há algo que deva ser corrigido a nível estrutural.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Aparelho nos dentes

São cada vez mais frequentes os sorrisos metálicos, tanto em jovens como em menos jovens, cada vez os aparelhos ortodônticos são mais utilizados.

Existem vários tipos, e que atuam de diferentes formas, não vou pormenorizar este aspeto, apenas quero abordar o objetivo de se usar aparelho.




O primeiro que nos salta à mente é a estética, e é realmente um dos objetivos de se usar o aparelho ortodôntico, contudo não é o único, e nem sequer é o mais importante.

O outro objetivo é a mordida, a forma como os dentes do maxilar superior se encaixam nos dentes do maxilar inferior. O uso de aparelho ortodôntico corrige uma mordida incorreta. E porque é isso importante?

As razões óbvias estão relacionadas com a higiene oral, quando os dentes não estão alinhados corretamente há dificuldade em realizar uma correta higiene, a placa bacteriana aumenta, há um maior desgaste dos dentes, ficando estes mais propícios a desenvolverem cáries, assim como a surgirem problemas nas gengivas, contribuindo até para um hálito não muito agradável.

Como se não fosse suficiente, quando não há um correto alinhamento dos dentes, os alimentos podem não ser bem mastigados, provocando perturbações a nível do sistema digestivo. Uma mordida incorreta pode até mesmo prejudicar a fonética, e perturbar o sistema respiratório.

Mas o que tem isto tudo a ver com a medicina manual?

Existem ainda outros motivos pelos quais se deve corrigir a mordida.

Uma mordida incorreta regra geral origina uma má oclusão. E uma má oclusão tem obrigatoriamente que ser corrigida pois causa desiquilíbrios na estrutura. 

A oclusão é nada mais nada menos do que a relação que existe entre a mordida e as estruturas que possibilitam essa mordida, como a articulação temporomandibular (ATM) e tudo o que lhe está associado (sistema neuromuscular).

Quando os dentes não estão alinhados corretamente, uma das coisas que pode acontecer é mastigar-se mais para um lado do que para o outro, provocando tensão excessiva nos músculos referentes à ATM, e até chegar ao extremo de desenvolver mais a musculatura de um dos lados da ATM. Isso só por si é suficiente para provocar uma série de compensações a nível estrutural, um exemplo é o desenvolvimento de escoliose.

Outra coisa que pode acontecer na estrutura é alterar-se a posições da cabeça em relação ao corpo, tudo devido a uma má oclusão. Como consequência disso haverá alterações das lordoses cervical e lombar, e da cifose dorsal. Não é difícil imaginar todos os sintomas que daí podem advir.

Isto significa que quando há qualquer problema na estrutura, tem que se verificar o estado da boca. Pois pode haver um problema na boca que esteja a prejudicar a estrutura. Os problemas mais frequentes são relativos à oclusão, contudo poderá haver outros que comentarei em outra publicação.

Uma má oclusão pode ter várias causas, não sendo necessariamente causada por um mau alinhamento dos dentes, e muitas dessas causas podem ser solucionadas por um osteopata capacitado. Contudo problemas de oclusão originados por desalinhamento dos dentes não podem ser corrigidos por um osteopata. Tem que ser um ortodontista a corrigi-los mediante a colocação de aparelhos ortodônticos. 

Outras vezes poderá dar-se o caso de ter que se trabalhar em conjunto com um protésico, pois a solução passa pelo uso de uma prótese. Até pode haver necessidade de realizar alguma cirurgia maxilo-facial, consoante a origem da disfunção.

É fácil perceber a necessidade de haver uma integração clinica entre diversas especialidades, pois o equilíbrio, o bem-estar, e a saúde jamais podem ser obtidos através da consulta de um único especialista. 

E assim nasce a Posturologia como terapêutica interdisciplinada que avalia e encaminha o paciente de acordo com as suas reais e prioritárias necessidades.

É de suma importância compreender isto, pois mesmo o paciente necessitando usar, por exemplo, um aparelho ortodôntico para corrigir uma má oclusão, poderá não ser prioritário, e deverá ter que fazer primeiro outros tratamentos, para que a quando da colocação do aparelho, este possa ter como único resultado o reajustamento dos dentes, sem qualquer efeito indesejável sobre a estrutura.

Apenas alguém formado em Posturologia pode realizar este tipo de avaliação.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Proprioceção

Este é mais um tema assíduo nos blogs relativos à medicina manual, e se não é, deveria ser. Isto porque a proprioceção é um aspeto fundamental para a definição da nossa postura, e para a manutenção dos nossos movimentos corporais.

A grande maioria dos autores usa a palavra Cinestesia como um sinônimo de Proprioceção. Também há autores que atribuem outras palavras para definir o mesmo, mas proprioceção é a mais utilizada.

Na publicação Posturologia este tema já foi tocado, mas associado ao Sistema Tónico Postural (STP). Vamos agora abordar a proprioceção individualmente.

Para entendermos rapidamente o que é a proprioceção, basta fechar os olhos e percebermos que apesar de não estarmos a ver os membros do nosso corpo continuamos a ter consciência da sua posição. Se quisermos juntar as nossas mãos com os olhos fechados, elas vão ter ao encontro uma da outra. Assim como até podemos caminhar com os olhos fechados (num espaço onde não haja obstáculos) sem grande dificuldade. Isto é proprioceção numa pessoa saudável.

Proprioceção é a aptidão que temos em perceber onde está o nosso corpo, qual a posição dos nossos membros, com que velocidade nos devemos mover, qual o nível de tensão que deve ser exercida pelos músculos, qual a amplitude que cada articulação deve tomar, e como devemos coordenar os movimentos de forma a realizar qualquer tipo de ação.

Essa perceção é possível devido aos propriocetores que se encontram espalhados pelo corpo. Os propriocetores são um dos tipos de receptores sensorais, e são os responsáveis por enviarem informação propriocetiva ao Sistema Nervoso Central (SNC).

Os principais propriocetores são:
  • Fusos neuromusculares: Transmitem informação sobre o comprimento do músculo;
  • Órgãos tendinosos de Golgi: Dão informação sobre o grau de tensão em cada segmento;
  • Corpúsculos de Paccini: Informam sobre trocas rápidas de pressão;
  • Terminações de Ruffini: Detetam pressão exercida constantemente;
  • Propriocetores do sistema vestibular: Enviam informação sobre os movimentos da cabeça;
  • Propriocetores do pescoço: Relatam informação referente à orientação da cabeça em relação ao corpo.

Os proprioceptores estão localizados nos músculos, tendões, articulações (e tecidos em volta), cápsulas, ligamentos, membranas fibrosas, e no ouvido interno.

São estimulados com o movimento corporal e/ou com a pressão. A partir daí começam a enviar informação ao SNC que depois produz uma resposta a esse envio de informação, com o objetivo de coordenar todos os movimentos corporais, definindo a nossa postura e mantendo-nos em equilíbrio.

Esta ação processa-se toda a nível subconsciente, pois normalmente não temos controlo sobre ela. Vou usar um exemplo que não corresponde exatamente à forma como as coisas funcionam, mas serve para se perceber melhor todo o processo: os proprioceptores localizados nas estruturas do pé enviam informação para o SNC, daí o SNC responde como o pé se deve localizar, e tudo isto se desenrola de forma automática, contudo se quisermos posicionar o pé de outra forma, é possível fazê-lo, podemos alterar a posição para a que quisermos, pelo menos enquanto estivermos "atentos" a isso. Assim que a nossa concentração for dirigida a outro sitio, o pé volta a ficar na posição indicada pelo SNC.




Porque é importante ter esta noção?

Imaginemos que há um problema com a proprioceção, imaginemos que os propriocetores, por exemplo, do pé, estão lesionados, e não estão a enviar informação, ou enviam informação que não é a correta. O SNC vai basear o posicionamento do pé na informação incorreta, isso originará que o pé fique numa posição incorreta, e daí podem advir uma quantidade de compensações e lesões, tudo por um problema na proprioceção.

A proprioceção pode ser danificada de várias formas, mas a mais usual é através de lesões que ocorrem na zona em questão. Vamos usar novamente o exemplo do pé, ao fazer uma entorse no tornozelo a proprioceção, regra-geral, é sempre afetada, mas nem sempre é tratada. O tornozelo melhora, e é verdade que melhora, mas uma das sequelas com que fica é na proprioceção, e daí começa todo o processo que descrevi nos parágrafos anteriores. Com facilidade pode reincidir a lesão uma e outra vez enquanto não se tratar a proprioceção.

E é possível tratar a propriceção, é possível recuperar os propriocetores, esse é um dos objetivos do meu trabalho clínico: a estimulação, recuperação, e posterior desenvolvimento, da proprioceção. De acordo com os propriocetores que estejam afetados, assim deverá ser o tratamento, pois existem técnicas e exercícios específicos para estimular os diferentes tipos de propriocetores.