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sábado, 2 de novembro de 2013

Traumatismos

"Deixou-me de doer, já estou bem!"

Será que não ter dor é sinónimo de estar bem?

Infelizmente não, a ausência de dor nem sempre é um indicativo de que tudo vai bem na nossa estrutura.

O nosso corpo possui um sistema (Sistema Tónico Postural) que lhe permite buscar o equilíbrio em qualquer situação. Sempre que há uma alteração na nossa estrutura a tendência do nosso corpo é adaptar-se a essa alteração.

Os traumatismos produzem alterações na nossa estrutura, e de forma a se manter o equilíbrio, o nosso corpo adapta-se a essa alteração.

Vou dar vários exemplo:

  • Ao sofrermos uma entorse com uma certa gravidade, os ossos do tornozelo podem-se deslocar, e isso origina uma compensação a nível do joelho, e posteriormente a nível da anca. Embora o período em que doa possa ser relativamente curto, devido à inflamação nos ligamentos ir desaparecendo, com o passar do tempo se não se recolocarem os ossos do tornozelo no seu devido lugar, através do Sistema muscular e do tecido Conjuntivo, o joelho vai ficar afectado, e começará a doer. O mesmo acontecerá com a anca, e com toda a coluna.

  • Quando damos uma queda e batemos com uma anca, se for com a gravidade suficiente para deslocarmos a anca, o nosso corpo também se irá adaptar. O sacro e as vértebras da coluna lombar acompanharão o movimento da anca, o que originará que os nervos que saem da coluna possam ter o seu percurso obstruído. Da mesma forma que também o joelho poderá vir a ter as suas funções perturbadas. Novamente o período de dor pode ser relativamente curto, mas mais tarde além de perturbar as funções, a dor poderá ser bem mais activa.


  • Após uma criança bater com a cabeça, os ossos que compõem o crânio podem ficar desnivelados, e pode haver uma perturbação na circulação do liquido cefalorraquidiano (LCR), o que vai originar complicações no desenvolvimento da criança. Normalmente essas complicações são mais evidentes a nível da estrutura, quando a criança desenvolve o que se chama de escoliose idiopática - a coluna ao se desenvolver vai entortando. Consulte a publicação sobre escoliose para mais informações.

Dei estes três exemplos, mas muitos mais poderia ter dado, visto que o nosso corpo continuamente se vai moldando e adaptando a todos os impactos (estímulos) a que está sujeito. Muitas das vezes estas adaptações podem ser evitadas caso procuremos um profissional de Saúde qualificado para nos ajudar.

A minha recomendação é que após um traumatismo, quer doa muito ou doa pouco, a pessoa deve sempre tirar uma radiografia para verificar se houve fratura. Não sabemos a condição dos nossos ossos, se são débeis ou não, e até a intensidade da dor varia de pessoa para pessoa. Numa pessoa pode doer muito e não estar partido, enquanto em outra pode doer pouco e haver fratura. Por isso é sempre bom recorrer a um meio de diagnóstico que não deixe margem para dúvida.

No caso de estar partido o ortopedista é quem deverá indicar como se procederá ao tratamento. 

Em caso de não haver fratura, era bom consultar um osteopata para avaliar se houve alguma alteração no alinhamento ósseo e nas estruturas em volta, iniciando de seguida o tratamento adequado de forma a corrigir o problema e evitar que o corpo se adapte a este traumatismo.