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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Primeira Consulta

A primeira consulta tem como objetivo avaliar - identificar os desequilíbrios da pessoa e encontrar as causas desses desequilíbrios.

Não é possível, pelo menos na minha ética, tratar uma pessoa sem saber o que causou o seu problema, e muito menos sem saber qual o seu problema. Infelizmente assiste-se a muitos profissionais de Saúde iniciarem tratamentos sem saberem o problema da pessoa, e nem fazerem ideia da causa. 
Entramos assim no método de tentativa e erro, "vamos experimentar isto a ver se resulta... se não funcionar volte cá e experimentamos outra coisa... se não der vou encaminhá-lo para outro especialista de forma a experimentar...". 
Eu até concordo com esse método quando aplicado em Matemática, ou em Programação, ou em qualquer outra área, mas quando aplicado em seres vivos, quando aplicado em humanos, quando o tema é a Saúde, a nossa Saúde... É totalmente inaceitável. 
Obviamente que se falarmos em investigação cientifica esta questão ganha outros contornos, mas aqui não se está a discutir nenhuma investigação cientifica.




A avaliação consiste numa exposição dos sintomas por parte da pessoa, seguido por um questionário de forma a perceber os padrões de vida da pessoa e como podem estar associados aos sintomas. Prossegue-se a avaliação com a visualização estrutural, e a realização de determinados testes físicos que nos vão permitir identificar as causas, perceber se há tratamento e qual deve ser.

É assim necessário que na primeira consulta fique com roupa interior, sendo que nas consultas seguintes pode trazer roupa flexível que permita realizar movimentos com o corpo.

Identificados os desequilíbrios, encontradas as causas, e definido o tratamento, dá-se inicio ao mesmo. Mas muitas vezes a avaliação preenche a primeira consulta, e o tratamento só tem inicio nas consultas seguintes.

Se já tiver realizado exames e análises de qualquer tipo, quer sejam recentes ou não, pode levá-los na primeira consulta (mais informação em Exames complementares de diagnóstico). Também se pode fazer acompanhar da medicação que estiver a tomar, tanto para o problema que a trás cá como para outros problemas.

Por vezes acontece após o primeiro tratamento a pessoa ficar com uma sensação de cansaço, dorida, e até em alguns casos com mais dores. Isso pode acontecer por vários motivos: ou por a pessoa não estar habituada a fazer qualquer exercício, ou por não estar acostumada a este tipo de tratamento, ou porque houve um alivio em demasia da tensão muscular, ou porque se começou a corrigir articulações que há muito tempo estavam em posições incorretas, e de certa forma criaram habituação nas estruturas em volta, manifestando-se agora estas contra a mudança.
Certos profissionais referem-se a esta situação como fazendo parte do chamado "processo de cura", outros apelidam-na de "dor da cura". 
Independentemente da nomenclatura e do motivo, a experiência mostra que essas sensações menos boas são sempre temporárias, e vêm seguidas das desejadas melhorias.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Serviço de Urgências

Inúmeras são as vezes que ao longo da vida nos desiludimos, umas desilusões maiores que outras, e com alguma frequência vão acontecendo.
Normalmente atribuímos a responsabilidade a alguém, acaba por ser bem mais cómodo, mas a verdade é que grande parte das vezes somos nós os responsáveis.
Somos os responsáveis pois esperámos mais do que aquilo que poderíamos obter, não soubemos gerir as nossas expectativas, e acabámos por nos desiludir.

Quando penso em urgência penso em algo que não pode esperar.
Por exemplo, a pessoa não pode aguentar com dores. Não pode aguentar com dores porque fez algum traumatismo, ou já anda há algum tempo com dores e estas têm-se vindo a agravar, até que chegou a uma situação insuportável.

Na publicação Traumatismos expliquei que não é a um osteopata que se deve recorrer logo após se fazer algum traumatismo. Da mesma forma que quando a pessoa está a passar por uma situação demasiado aguda, por uma situação de emergência, nem sempre o osteopata poderá ser a melhor solução na altura.




Os métodos terapêuticos que uso, apesar de poderem ser aplicados em algumas situações de urgência, o maior beneficio que se pode tirar deles é quando aplicados em situações que não são demasiado agudas.

É importante a pessoa procurar a medicina manual antes de chegar a um estado caótico, antes de chegar a um estado em que não se consiga movimentar, ou que tenha uma dor abismal.

Para situações de urgência existem os comprimidos, existem as injeções, e eu não sou contra o seu uso. Ainda bem que eles existem! Existem para serem administrados em situações demasiado agudas de forma a promoverem um alivio imediato dos sintomas.

Após haver um alivio dos sintomas mais agudos, aí é a melhor altura da pessoa procurar um osteopata que a possa ajudar a encontrar a causa do seu problema, resolver essa causa, e tratar definitivamente o seu problema, impedindo que se volte a repetir a mesma situação.

Se ainda assim insistirmos em procurar um osteopata para tratar a nossa situação de emergência, não podemos esperar ter um alivio imediato, pois aí o mais certo será desiludir-mo-nos.
A Osteopatia não funciona como um serviço de urgências. 
É verdade que cada caso é um caso, e haverá situações agudas em que se poderá promover um alivio instantâneo, mas regra-geral isso não é possível. E quanto mais antigo é um problema (é preciso contar desde a primeira vez que houve uma manifestação e não desde que está com dor aguda), mais tempo resolverá a se tratar, por norma costuma ser assim.

Outra situação semelhante é ter de esperar alguns dias até haver vaga na consulta, nesse intervalo de tempo pode recorrer a qualquer tipo de medicação de venda livre que vá aliviando a dor, não esquecendo que deixando de doer não significa que o problema fique tratado, só quando corrigir a causa é que elimina definitivamente o problema. Além de que o meu trabalho não tem como objetivo principal o alivio da dor, o objetivo principal é sim a obtenção do equilíbrio estrutural, e esse equilíbrio não pode ser obtido à base de medicação.

domingo, 23 de novembro de 2014

Saúde

E se ter saúde fosse uma opção? E se pudéssemos escolher ser saudáveis? Vamos esquecer as suposições e substituir o Conjuntivo pelo Indicativo.

Para a grande maioria de nós ter saúde é uma opção. E todos nós podemos escolher ser o mais saudável possível.

Considera-se que a pessoa é saudável quando tem boa Saúde, quanto mais saudáveis somos, mais Saúde temos. A Saúde pode ser definida como uma condição de bem-estar, mas é um bem-estar global, não pode ser dissociado. Não podemos sentir-mo-nos mal de um qualquer órgão e estarmos bem a nível muscular, não é possível estarmos perturbados emocionalmente e o nosso sistema endócrino funcionar na perfeição. São só alguns exemplos para mostrar que todo o nosso corpo está associado, por isso quando pensamos em Saúde temos que pensar que ela é definida por diversificadas variáveis. 

Vou resumir em 4 variáveis:
  • A uma dessas variáveis chamar-lhe-ei de genética. Podemos entende-la como as características intrínsecas herdadas.
  • Outra variável é a atividade física. A forma como passamos os dias, as nossas posições usuais, e o cuidado que damos à nossa estrutura física.
  • A nutrição (alimentação) é mais uma variável. Mas a verdade é que não é tanto aquilo que comemos, mas sim aquilo que não expulsamos, o que é assimilado pelo no nosso corpo. Neste ponto podemos agregar todos os fatores físicos externos que intoxicam o nosso organismo, fatores esses que vão desde a poluição industrial até à medicação alopática.
  • Para terminar, a nossa atividade mental. As emoções que desenvolvemos, a forma como interatuamos em sociedade, como nos deixamos influenciar pelo que nos rodeia, e como preservamos a nossa mente.

A única variável aqui que não podemos ultrapassar é a genética, existem mais 3 variáveis com as quais podemos fazer tudo para melhorar a nossa Saúde. Mesmo que tenhamos uma condição genética menos favorável, podemos sempre compensá-la com as outras variáveis, tornando-nos assim mais saudáveis.

Da mesma forma que se padecermos de alguma doença crónica, ou até mesmo classificada como incurável, ao atuarmos sobre as 3 ultimas variáveis, conseguimos sempre ser mais saudáveis. 

Quero fazer uma ressalva no aspeto das nossas características herdadas, é que não são tão comuns conforme se "vendem". Por termos tido familiares em gerações anteriores com determinadas doenças, não quer dizer que sejamos afetados por essas doenças, e mesmo que venha-mos a ter essa doença, não quer dizer que tenha sido herdada, e muito menos significa que não tenha tratamento. 




Imaginemos a situação em que os pais fazem uma alimentação que não é a mais adequada e estão ambos diagnosticados com Diabetes, agora o filho com 15 anos também já foi diagnosticado com Diabetes, não significa que tenha herdado a doença dos pais, o que significa é que tem levado o mesmo estilo de vida que os pais têm levado e obviamente está a ter as mesmas consequências. Em vez de se darem medicamentos excessivos ao filho, é muito mais eficaz dar-lhe tratamento psicológico para que, entre outras coisas, ele possa perceber o quão importante é para o seu futuro a alteração do seu estilo de vida. Alterando esse estilo de vida pode ultrapassar essa doença, agora se não alterar e se for agravando, toda a vida irá padecer de Diabetes, da mesma forma que padecem os pais. 

Muitas vezes as pessoas escudam-se na hereditariedade, sendo uma forma fácil de se descartarem da responsabilidade que têm sobre a sua Saúde. Uma coisa é não podermos ter Saúde, outra coisa bem diferente é não nos querermos esforçar para ter Saúde. 

A Saúde não é um estado que após alcançarmos o temos como garantido, é algo que continuamente temos de levar em conta.

O meu trabalho vai ao encontro da segunda variável. Em relação às outras variáveis existe informação infindável e que nos ajuda a ganhar consciência, mas que só por si não é suficiente, aconselho a procura de profissionais especializados para que possamos escolher ser mais saudáveis.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Parto

De certo modo, podemos dizer que é aqui que tudo começa, e nada melhor que um bom começo para se poder ter um desenvolvimento saudável. 

Nesta publicação vou-me focar sobre aspetos práticos relativos ao parto. Contudo, e para não variar, este é mais um tema que não reúne consenso. 

Na publicação Gravidez informei sobre os cuidados que se deve ter, a nível da estrutura, para que a gravidez decorra sem incidentes. Obviamente que estes cuidados também se vão refletir sobre o parto. Quando a estrutura está preparada com certeza o parto terá mais probabilidades de decorrer na normalidade, sem qualquer tipo de complicações.

Podemos tomar como exemplo o ultimo osso da coluna, o cóccix, quando este osso não está na posição em que deveria estar, pode obstruir a passagem do bebé, o que obriga a que o médico tenha de o partir, propositadamente, para o parto se poder realizar.

Durante a gravidez também se devem realizar tratamentos específicos visando o parto, tendo em conta todas as estruturas musculares e ligamentares que serão solicitadas - mais diretamente a nível pélvico, abdominal e até mesmo torácico. Se estas estruturas não se encontrarem em condições, devidamente inervadas e tonificadas, irão complicar o trabalho de parto.

O conceito que atualmente a medicina convencional nos transmite sobre o parto, está algo mecanizado. Como se fosse um processo padronizado e totalmente manipulável, em que, entre outros fatores, se pode atrasar ou acelerar, a nosso belo prazer. 

Bem, a verdade é que isso é possível, mas trás consequências, tanto para a mãe como para o bebe. 

Daí surge a definição de trauma do parto. Quando o parto não decorre com a naturalidade que deveria de ocorrer originará transtornos psíquicos na mãe e principalmente no bebé. Há vários estudos publicados que o demonstram.

O parto não pode decorrer da mesma forma em todas as mulheres, é lógico que assim seja, não há duas mulheres iguais, não há duas estruturas iguais, as pessoas reagem de diferentes maneiras ao mesmo estimulo. Por exemplo, há pessoas que não têm qualquer problema em estar num hospital, por outro lado, há muitas pessoas que se assustam só de pensarem em hospitais. Uma mulher que não se adapte ao ambiente hospitalar durante o parto, sofre alterações no sistema endócrino, motivados pelo receio ou fobia, e que se irão refletir no parto.

Existem vários tipos de parto que se praticam na atualidade, e que levam em conta muitas variáveis. Deve-se eleger aquele que se considere ser o mais benéfico, tendo em conta as circunstâncias e levando em consideração as opiniões dos profissionais de saúde que estiverem a fazer o acompanhamento.

Em circunstâncias normais, quando a mãe não sofre de qualquer limitação estrutural, fez uma preparação para a gravidez e consequentemente para o parto, eu defendo que o parto se deve realizar de cócoras e num ambiente afetivo.




É a posição em que permite um maior abertura pélvica, uma vez que se está a operar em sintonia com a gravidade, ocorrendo uma maior extensão da musculatura pélvica. Também origina que as vértebras da coluna lombar adotem uma posição mais favorável de forma a não comprimirem os nervos raquídeos, favorecendo a inervação da tão solicitada musculatura pélvica. Logicamente o parto ocorrerá com mais facilidade e rapidez, não sendo tão doloroso para mãe, e dando lugar a uma melhor recuperação pós-parto.

Relativamente ao uso de forceps ou ventosas (gosto de acreditar que só se recorrem as estes métodos quando não há outra solução) trás sempre consequências no desenvolvimento do bebé. Podem não se manifestar a curto prazo, mas até terminar o crescimento ósseo manifestar-se-ão. É verdade que agora já há forceps com micro-sensores que não permitem que se faça pressão para além da suportável pelo crânio do bebé, mas tanto quanto sei ainda não chegaram cá a Portugal.




Os ossos do crânio são comprimidos provocando alterações diretas no formato do crânio, assim como a nível da circulação do LCR, e no desenvolvimento cerebral. Uma manifestação comprovada é a formação de escoliose idiopática. Ao haver alteração no formato do crânio, um dos principais ossos do crânio, chamado esfenoide, vai sofrer um movimento relativo à sua posição normal, alterando a linha horizontal da visão, e logo toda a estrutura irá arranjar forma de compensar essa alteração. Essa compensação acontece através da escoliose.

Aqui entra em ação a Osteopatia Craniana, através de diferentes manobras é possível devolver um formato fisiológico ao crânio, e restabelecer a correta circulação do LCR no bebé. Um trabalho que após o parto (enquanto os ossos do crânio não estão totalmente ossificados) pode ser feito com relativa eficácia e rapidez, evitando um sem numero de complicações. Este tipo de correção também pode ser realizado durante o crescimento, e até mesmo na vida adulta. Mas quanto mais tempo passar, mais difícil e mais prolongado é o tratamento, além de que, enquanto em bebé é possível realmente corrigir o formato do crânio, em adulto o que se pode fazer é corrigir as tensões provocadas por esse formato patológico.
Infelizmente ainda não vi qualquer Osteopata Craniano empregado numa maternidade em Portugal.

Já tenho ouvido pessoas dizerem que a cesariana é o melhor método, isso só revela uma coisa: ignorância. Primeiro que tudo a cesariana envolve anestesia e uma cicatriz, dois temas que discutirei em futuras publicações, mas como já referi anteriormente, têm impacto negativo no corpo. 
Se a mãe está anestesiada é como se estivesse ausente do parto, sendo o parto um processo que tem como protagonistas a mãe e o bebé, podemos deduzir que vai contribuir para o chamado trauma do parto.
Outro aspeto que contribui para o trauma do parto, é a idade gestacional não ser bem calculada, e realizar-se a intervenção antes de tempo. Isso não contribui só para o trauma, como pode por em risco a vida do bebé.
Há ainda cientistas que defendem como fundamental a passagem pelo canal vaginal, não só para o desenvolvimento da imunidade do bebé, como para o desenvolvimento do crânio.
Não falando no aumento do risco de infeção. 
É verdade que há casos em que a cesariana é a única alternativa, nessa situação é a melhor opção, mas quando se decide optar pela cesariana simplesmente por comodidade considero que é um erro.

Independentemente de como seja o parto, após a gravidez as alterações estruturais que a mulher sofreu não são logo reversíveis. E de acordo com o tipo de parto podem ser mais ou menos acentuadas.
Todas as alterações que descrevi na publicação Gravidez mantêm-se, para além destas, após o parto, normalmente a sínfise púbica desalinha, e a musculatura pélvica, nomeadamente a nível do pavimento pélvico, fica debilitada. Daqui podem ocorrer um sem numero de complicações, desde incontinência, passando por queda das vísceras pélvicas, até alterações no ato sexual. No caso de cesariana, a cicatriz ainda pode originar mais alterações na estrutura.

Quando não se procura acompanhamento, as alterações tanto se podem reverter sozinhas, como não reverter, e até mesmo agravarem com o passar dos anos.

Se este processo for acompanhado por um osteopata, não só é acelerado, como há a garantia de se estar a reverter ao máximo.

domingo, 5 de outubro de 2014

Será que devo ser operado?

É uma pergunta que frequentemente tenho de responder. Obviamente cada caso é um caso, mas existem traços gerais que devem ser tomados em consideração, qualquer que seja a cirurgia.

Muitas vezes falo com pessoas que não sabem porque foram operadas, o que foi feito durante a operação, e chegam ao extremo de nem sequer saberem ao que foram operadas. 

Isto é totalmente inadmissível, e é proporcionado pelas premissas às quais se tem vindo a edificar a medicina convencional em Portugal. Na publicação Quais os limites da Osteopatia? este tema já foi explorado, mas reiterando, na medicina convencional existe uma certa passividade por parte dos pacientes, inculcando toda a responsabilidade nos profissionais de saúde. As consequências estão à vista, há um desconhecimento total dos meios de tratamento ao que os pacientes são sujeitos.

Esta passividade origina que, além de não saberem como são tratados, os pacientes desconhecem os meios de tratamento alternativos. Um médico em Portugal, para se formar, apenas necessita estudar a medicina chamada convencional, não faz parte da sua formação os tratamentos apelidados como alternativos ou complementares. Por isso a partir do momento que o paciente se deixa guiar única e exclusivamente pelo seu médico, já está a pôr de parte uma quantidade de tratamentos alternativos ou complementares que lhe poderiam ser úteis no seu caso. A menos, é claro, que o médico tenha conhecimentos de medicina alternativa, conhecimentos adquiridos facultativamente, pois não são obrigatórios.

Por este motivo insisto numa atitude ativa por parte do paciente, em que se informe e questione sobre qualquer tipo de tratamento que lhe seja proposto. Indo também em busca de alternativas, comparando tratamentos entre si, de forma a eleger aquele que considerar mais lógico, mais adequado, e mais benéfico para a sua saúde (não só a curto e a médio, como também a longo prazo). 




Respondendo diretamente à pergunta inicial, quando a cirurgia é de urgência, regra-geral é eficaz, como por exemplo, no caso em que a pessoa sofre um acidente e necessita ser logo operada.

Quando a cirurgia não é de urgência, é necessário ter em conta os tratamentos alternativos. Já foi comprovado (basta fazer uma rápida pesquisa pela Internet) em vários países, que mais de 50% das operações que se fizeram à coluna tinham tratamento através da medicina manual. Cirurgias realizadas nos diferentes Sistemas do corpo, têm tratamentos alternativos com Naturopatia, ou medicina ortomolecular, etc...

Uma situação que acontece com frequência é a pessoa negligenciar a sua saúde, e deixar-se arrastar até um estado em que a operação é a única solução viável. Porque a partir do momento em que a pessoa assume uma postura preventiva, arrisco-me a dizer, que só em caso de acidente é que precisará de ser operada. A oferta preventiva está muito avançada, existe um conhecimento extremamente amplo daquilo que precisamos para nos manter saudáveis. Atenção que esta prevenção assume muitas formas e é preciso levar em conta todas as variáveis que definem a nossa Saúde.

Mas infelizmente estamos inseridos num sistema de saúde que, regra geral, não leva em conta a prevenção, não está sequer estruturado com esse objetivo. Por isso novamente volto a recomendar que o paciente se imponha, pesquise toda a informação confiável relativa à sua saúde, e opte sempre pela prevenção, não se deixando guiar exclusivamente pelo sistema de saúde ao qual pertence.

Há pelo menos duas coisas comuns a quase todas as cirurgias: anestesia e cicatrizes. São dois temas que devem ser levados em consideração, quando somos confrontados com a decisão de sermos ou não operados, devido ao seu impacto no nosso corpo.

domingo, 21 de setembro de 2014

Outras ramificações da medicina manual

Existem vários tipos de tratamentos complementares que aplico, e que são ainda desconhecidos na sua generalidade. Vou dar a conhecer alguns deles nesta publicação.

Tratamento para obstipação
É uma técnica aplicada sobre o Intestino Grosso quando a pessoa está afetada com prisão de ventre. Quando se sofre de obstipação, regra geral, não existe uma correta enervação das paredes do Intestino, e o movimento peristáltico não está a ocorrer como deveria. Com este tratamento estimula-se esse movimento, e é possível assim esvaziar-se o intestino. Após o termino do tratamento, o resultado pode ser quase imediato ou demorar algumas horas.

Massagem abdominal
É um tratamento aplicado sobre o abdómen que visa estimular a circulação sanguínea e linfática na zona abdominal. Está indicado quando há perturbações no normal funcionamento dos órgãos e vísceras. Também em casos de anemia é uma técnica complementaria que ajuda a obter resultados mais rapidamente. Existem algumas contra-indicações.



Tratamento para aerofagia
Aerofagia é uma patologia que se define como acumulação de gases (ou ar) no aparelho digestivo. Produz sintomas extremamente desagradáveis, que vão desde a sensação de inchaço até à flatulência e eructação constantes. Através desta técnica é possível eliminar eficazmente os gases que estão acumulados na parte alta do estômago.

Tratamento torácico
Aplicado no tórax e indicado para a grande maioria dos problemas respiratórios, vou citar apenas alguns: asma, enfisema pulmonar, bronquite, etc... Novamente os resultados são obtidos com facilidade.

Massagem ao periósteo
Conforme podemos deduzir do próprio nome, é uma técnica aplicada para tratar inflamações do periósteo. O periósteo é uma película que envolve o osso, e pode-se considerar como parte do tecido Conjuntivo. Entre várias funções, é responsável pela irrigação sanguínea, e pela comunicação nervosa com o osso.

Novamente volto a referir que os tratamentos aqui indicados são complementários, eles apenas tratam a sintomatologia, é verdade que é de forma eficaz pois podem eliminar por completo os sintomas, mas apenas temporariamente, pois os sintomas mais cedo ou mais tarde voltarão. É necessário descobrir-se qual a causa, e tratar a causa em simultâneo com o tratamento sintomático. 

Vou usar como exemplo o tratamento para obstipação, cada vez que se faz esse tratamento o intestino é descarregado, mas ele nunca voltará a funcionar "sozinho" enquanto não se descobrir qual a causa que está a provocar que os movimentos peristálticos não ocorram corretamente. 

Os efeitos que produzem os tratamento aqui apresentados também são facilmente obtidos através do uso de fármacos, mas sabemos que cada vez que tomamos um fármaco ele não produz só o efeito desejável no nosso organismo, também produz outros efeitos não desejáveis, e quanto mais os tomamos, mais significativos e notórios são esses efeitos não desejáveis. Ao contrário deste tipo de tratamentos aqui divulgados que não produzem quaisquer efeitos indesejáveis.

Por isso recomendo, sempre que possível, optar pela medicina manual.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Envelhecimento

Inevitável! É a primeira palavra que me vem à mente quando penso em envelhecimento.

A partir de uma certa idade, a nossa estrutura vai perdendo capacidades, os nossos ossos enfraquecem e podem também deformar, a cartilagem escasseia, os ligamentos perdem resistência, uns músculos ficam débeis e outros ficam demasiado tensos, a elasticidade diminui, e a agilidade decresce (não acontece por esta ordem). A força que antes tínhamos já não é a mesma, assim como os movimentos que fazíamos outrora com tanta facilidade, agora já nos custam. Em consequência, as dores aparecem e agravam-se.

Contudo, apesar de inevitável, o envelhecimento pode ser experienciado de formas diferentes. Sim, é verdade que será sempre dramático, mas há muita coisa que pode ser feita... Não só para o retardar, como até para o atenuar.

Sabemos que as pessoas não envelhecem todas à mesma idade, umas envelhecem mais cedo do que outras. Também não se envelhece sempre há mesma velocidade. Porque isso acontecerá?

Existem três variáveis que definem o envelhecimento, são elas:
  • Genética;
  • Emoções;
  • Manutenção corporal.

Referente à genética, tanto quanto sei, nada se pode fazer.
No que respeita às emoções, muito pode ser feito, mas é um trabalho ao qual eu não tenho parte.
Vamos centrar-nos na manutenção corporal.

Primeiro que tudo a manutenção corporal passa por uma alimentação adequada, que aporte os nutrientes necessários ao correto funcionamento do nosso organismo. Pois quando há um défice nos nutrientes que o nosso organismo necessita, os sistemas começam a entrar em falência, e as estruturas começam a sofrer degeneração. É importante sabermos qual é a alimentação adequada a cada um de nós, para isso recomendo uma consulta personalizada com um bom especialista nessa área.

Mesmo havendo uma alimentação adequada, não é suficiente para fazemos uma correta manutenção ao nosso corpo. Precisamos também cuidar a nossa estrutura.

O ideal para preservarmos a nossa estrutura, era nunca estarmos em posições prejudiciais, nem fazermos movimentos repetitivos. Mas obviamente isso não é possível, dado as nossas ocupações e empregos, muitas vezes passamos longas horas em posições que não são corretas, assim como levamos anos a fio a realizar os mesmos movimentos. 

Tudo isso acaba por ter impacto, a longo prazo, na estrutura. Com o passar do tempo os músculos vão ficando contraídos, e vão-se tornando débeis. Dada a debilidade e contração muscular, as vértebras ao longo da coluna podem-se deslocar da sua posição. O que pode originar obstruções na circulação sanguínea. Ao haver obstruções na circulação do sangue, este já não chega corretamente a todas as partes do corpo, e onde o sangue não chega, não chegam também os nutrientes essenciais à preservação do nosso corpo. 

É fácil comprovarmos esta ideia, se pensarmos que um dos locais onde, mais frequentemente, se forma artrose (degeneração) são as extremidades do nosso corpo, nomeadamente os dedos das mãos, é também o local no qual, quando existem distúrbios na circulação sanguínea, o sangue começa a circular ineficientemente.



Convém compreendermos que não pode haver obstáculos à circulação do sangue no nosso corpo, e muitas das vezes esses obstáculos advêm da própria estrutura, quer por culpa das vértebras, ou de qualquer outro osso que possa não estar na posição correta, assim como por culpa da contração muscular, ou até mesmo do próprio tecido Conjuntivo.

É necessário contrariar todo o tempo em que estamos a prejudicar a nossa estrutura - remover a contração que se vai formando nos músculos, assim como corrigir bloqueios articulares que já possam estar instalados. Isso é feito com a colaboração de um osteopata, que definirá um programa regular de exercícios, tendo em conta a nossa estrutura e as nossas habituais posturas.

Se levarmos em conta realizar uma correta manutenção ao nosso corpo, com certeza, não só o envelhecimento será retardado, como até mesmo atenuado.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Escoliose - olhar microscópico

Todos os dias aparece alguém na consulta que me diz que tem escoliose, e muitas vezes até mesmo fora da consulta sou confrontado com este tema.

Nesta publicação vou esclarecer este tema no geral, e mais em especifico o ponto de vista da medicina manual em relação à escoliose. Nem todos os termos e classificações que darei à escoliose são consensuais entre os profissionais de Saúde.

Diz-se que a pessoa tem escoliose quando forma um desvio da coluna a nível lateral, ou seja, quando a coluna desenvolve uma curvatura para a esquerda ou para a direita, ou para ambos os lados.


Na nossa coluna temos 3 curvaturas que são fisiológicas (que são normais), quando essas curvaturas estão exageradas, ou estão em falta, não é considerado escoliose, têm outras designações. Só é considerado escoliose quando existem curvaturas laterais.

São mais as pessoas que têm este desvio lateral na coluna do que as que não têm, até vou mais longe, e posso referir que é pouco frequente encontrar alguém que não tenha escoliose, e menos frequente ainda encontrar alguém que não tenha qualquer desequilíbrio na coluna.

Quero com isto dizer que quase todas as pessoas têm dores? Não, até há bastantes pessoas que vivem sem dores. O que eu quero dizer é que ter escoliose não é sinónimo de ter dor (e o inverso também é válido, ter dor não é sinónimo de ter escoliose).

A classificação mais simples que se pode dar à escoliose é referente à localização da curvatura. A curvatura lateral tanto se pode desenvolver na parte cervical da coluna, como na dorsal, ou na lombar. E o que acontece com mais frequência é desenvolverem-se várias curvaturas ao longo da coluna.

Também se classifica a escoliose em relação ao grau da curvatura. Curvaturas até 10º (dada a sua frequência, e como o seu impacto no corpo não é significativo) não se consideram como sendo escoliose.
  • Curva de 10º-20º: Escoliose Leve;
  • Curva de 20º-45º: Escoliose Moderada;
  • Curva de 45º-70º: Escoliose Grave;
  • Curva com mais de 70º: Escoliose Muito Grave.

Existem vários métodos para se medir o grau da curvatura, entre os mais conhecidos temos o método Cobb e o método Ferguson, ambos recorrendo a radiografias, o método de medição que costumo usar é o Cobb. É importante perceber que estas medições podem variar de profissional para profissional, por isso convém que seja o mesmo profissional a fazer a medição de todas as radiografias (quando queremos analisar a evolução da escoliose).

A classificação chave para o trabalho do osteopata é a seguinte:
  • Escoliose Estrutural:
    • Compensada;
    • Não Compensada.
  • Escoliose Não Estrutural.

Quando a escoliose é Estrutural, existe uma deformação anatómica da estrutura de suporte, ou seja, a coluna alterou a sua forma original adoptando uma nova forma à custa da deformação das vértebras, deformação essa que poderá abranger as restantes estruturas de suporte do corpo.
Se a escoliose é Não Estrutural, há novamente uma alteração da curvatura da coluna, mas não chega a haver uma deformação anatómica da estrutura de suporte.

Se é Compensada, a pessoa tem que ter mais do que uma curvatura, isto porque existe um equilíbrio, existe uma compensação. Não quer dizer que a pessoa não tenha dores, o que significa é que mantendo-se assim, a escoliose não irá agravar, e terá poucas ou nenhumas limitações.
Se é Não Compensada, tudo indica que irá continuar a progredir, e se ainda não está a causar limitações, causará bastantes.
A definição de Compensada ou Não Compensada também existe para a escoliose Não Estrutural, contudo não faz muito sentido aplicá-la, adiante explicarei porquê.

Porque é que existe a escoliose?
Na publicação Porque tenho dores? respondo a essa pergunta. Mas resumindo, a escoliose desenvolve-se de forma a compensar uma qualquer alteração no nosso corpo, ou como consequência de uma disfunção no nosso corpo. 

Podemos assim perceber que existe um sem número de causas para a escoliose, vou dar exemplos de algumas dessas causas (em ordem aleatória):
  • Neuropatica - disfunções no sistema nervoso;
  • Miopatica - disfunções no sistema muscular (distrofia, miotonia congénita, etc);
  • Desmogena - processos degenerativos (podem ser ou não congénitos);
  • Metabolica (Raquitismo, Sindrome de Marfan, etc);
  • Visceral (exemplificando, um problema no fígado pode originar uma escoliose, que é classificada como escoliose hepática);
  • Postural (por exemplo, a pessoa lesiona-se num tornozelo, alterando a sua forma de andar, com o passar do tempo pode desenvolver escoliose);
  • Idiopática - a maior parte das escolioses estão classificadas na medicina convencional como tendo causa desconhecida. Mas em Osteopatia, normalmente deteta-se qual a causa da escoliose, e a grande maioria dos casos (senão todos) os que são considerados como escoliose idiopática, o problema é originário de um desalinhamento dos ossos da crânio (pode ter sido do parto, ou de algum traumatismo sofrido durante o crescimento). Neste apartado também podemos incluir as escolioses que têm como causa um desiquilíbrio a nível da ATM (mais informação pode ser encontrada na publicação Aparelho nos dentes), e ainda as que são causadas por patologias oculares (por exemplo, estrabismo).

Há autores (osteopatas, fisioterapeutas, médicos, etc) que fazem a associação entre a escoliose ser Estrutural, e a sua causa. Há certos tipos de causa que se podem associar, porém há outros que não devem ser associados, uma vez que a escoliose pode ser progressiva, e chegar a certo ponto que a escoliose Não Estrutural se transforma em escoliose Estrutural (o inverso nunca acontece). 
De qualquer das formas deixo uma possível associação entre ambas as classificações:
  • Escoliose Estrutural
    • Desmogena;
    • Metabolica;
    • Neuropática;
    • Miopatica.
  • Escoliose Não Estrutural
    • Visceral;
    • Postural.

A escoliose não é uma doença, não é contagiável, é uma condição que a nossa coluna adopta por diferentes causas. É sempre progressiva até determinada estância (até que o corpo considere que obteve a compensação desejada). Em certos casos progride sem parar, noutros acaba por se fixar num grau de curvatura relativamente baixo, assim como a velocidade de progressão varia de caso para caso. Também se podem ir formando várias curvaturas, por exemplo, inicialmente só havia uma curvatura no zona dorsal, passado um ano começou a encurvar a zona lombar, passado 6 meses a região cervical também desenvolveu uma curvatura lateral. Todas estas compensações têm o seu custo, contudo inicialmente a escoliose é silenciosa, não produzindo qualquer dor (em casos raros, o aparecimento da escoliose vem logo acompanhado de dor). Os sintomas iniciais são visíveis, desnivelamento dos ombros, lateralização da cabeça, assimetria nos membros superiores, desnivelamento da bacia com assimetria dos membros inferiores. A curvatura na coluna não se discerne muito bem a olho nu quando o grau é relativamente baixo. À medida que vai progredindo as dores começam a aparecer, tanto podem ser dores localizadas como dores reflexas. Poderá notar limitações na mobilidade e falta de força. Em estados mais avançados começa a comprometer o funcionamento dos órgãos, pode provocar dificuldades respiratórias, e até mesmo problemas cardiovasculares.


Atenção que por apresentar algum destes sintomas não significa que esteja a desenvolver escoliose, deve-se sempre procurar um profissional de Saúde qualificado para avaliar qualquer alteração no corpo.

Sendo a escoliose progressiva a avaliação devia de ser feita o mais rapidamente possível.

Normalmente a escoliose começa a desenvolver-se durante os anos cujo o crescimento ósseo é maior, entre os 9-14 anos, por isso neste período deviam de ser realizadas avaliações periódicas para controlar o aparecimento da escoliose, assim como a sua progressão.

Em países desenvolvidos estas avaliações são feitas nas escolas, em que anualmente se realizam rastreios, não só da escoliose como de outros problemas. Aquelas crianças que apresentarem algum sinal são encaminhadas para especialistas que possam dar seguimento ao caso. O seguimento é feito de duas formas: Se o grau da curvatura for menor, repetem-se as avaliações com maior periodicidade, para ir controlando a evolução. Se o grau da curvatura assim justificar, inicia-se um tratamento.   

O tratamento da medicina convencional é muito diferente do tratamento osteopático (e mesmo de osteopata para osteopata o tratamento varia muito). Irei usar como exemplo as crianças, no entanto em qualquer idade se pode começar a desenvolver escoliose.

Vamos primeiro falar do tratamento da medicina convencional. Aqui em Portugal a medicina convencional não é preventiva, o que nos faz entrar logo com o pé esquerdo nesta questão da escoliose. Ou seja, as crianças, só têm um contacto com o médico quando já têm dores nas costas, ou quando já é evidente o encurvamento da coluna, isto significa que os estágios preliminares da escoliose já passaram, e esta já está 'instalada'.
Quando a curvatura ainda é pequena, espera-se que a curvatura aumente para que justifique a utilização de um colete. Nesta fase normalmente recomenda-se a natação, mas a verdade é que nem todas as escolioses respondem bem à natação, e também depende do tipo de natação. Para além de que na grande maioria das vezes a natação só por si não faz nada. Isto corresponde a dizer que a curvatura aumentará (porque a maioria das escolioses, não sendo tratadas, progridem), e receita-se a utilização de um colete. 
Existem vários tipos de colete, mas todos têm o mesmo objectivo, que é endireitar a coluna à força. Ou seja, está-se a tratar um sintoma, não se está a tratar a causa, não se está a tratar o motivo que leva a coluna a entortar. Equivale a dizer que mesmo que a criança diminua a curvatura da coluna quando está com o colete, o mais provável é depois de o tirar voltar a entortar. Pessoalmente não reconheço a eficiência clínica dos coletes, nem a curto, nem a médio, nem a longo prazo. Até hoje não conheci ninguém que se tenha tratado com sucesso através de um colete, mas não ponho em causa os estudos que demonstram a eficácia dos coletes, há é que ter em conta o significado que dão à palavra 'eficácia'. Mas adiante, o colete deve ser usado cerca de 20 horas por dia. Não é difícil imaginar o trauma que isso poderá causar na criança. Uma criança quer saltar, quer brincar, quer estar com as outras crianças, não quer estar enfiada 20 horas dentro de um colete, sem saber durante quanto tempo irá estar assim, nem sequer se terá resultados. Nesta situação acaba por haver um menosprezo enorme da saúde emocional da criança.
Nas crianças, o período em que a escoliose se desenvolve mais depressa é durante os anos de maior crescimento. Quando se usa um colete durante estes anos e depois se retira, a escoliose já não se vai desenvolver tão depressa, pois já não está nos anos de maior crescimento, há um 'mascarar' da situação. O desenvolvimento pode ser tão lento que chega a ser negligenciado, e passados vários anos a pessoa apresenta sintomas recorrentes daí.


Mas mesmo seguindo à regra todas as normas de utilização do colete, a curvatura pode continuar a aumentar, e chega-se a um grau tão grande de curvatura, que o único tratamento possível é a cirurgia. E nesta situação eu concordo, todo este tempo que a criança andou em natações e a usar coletes, a curvatura progrediu de tal forma que o único tratamento possível agora é a operação. 
Na intervenção cirúrgica a ideologia é a mesma que a do uso do colete. Após se fazer a correcção usam-se fixações externas ou internas para manter a coluna direita. No caso das externas, pode ser gesso ou volta-se a usar o colete durante quase um ano. No caso das internas, implantam-se hastes ao longo da coluna que permanecem com a criança, a menos que tenham que ser tiradas posteriormente, através de nova cirurgia. Estas cirurgias têm um sem numero de possíveis complicações que nem vou referir aqui. A verdade é que após a cirurgia a coluna fica visivelmente direita (não perfeita), mas dependendo da causa da escoliose, pode voltar a encurvar, entortanto as próprias hastes que foram implantadas. Vai ser preciso intervir novamente. E porque é que isto tudo acontece? Porque não se tratou a causa, apenas se tratou o sintoma.

O tratamento osteopático começa pela prevenção, prevenção esta que consiste na avaliação quando não existe qualquer manifestação sintomática. Muitas vezes nestas avaliações (que muitos classificam como "totalmente desnecessárias") encontram-se sinais que demonstram que se irá, ou já está mesmo, a desenvolver escoliose. Quando nos deparamos com um destes sinais, são feitas avaliações periódicas para se ver a evolução. No caso de haver uma progressão, é preciso detectar a origem e causa da escoliose.
Se estamos perante uma escoliose Estrutural, não se pode corrigir a curvatura, o que se pode fazer é compensar a curvatura, e impedir que avance. Normalmente é também possível tratar a  sintomatologia associada à escoliose, como por exemplo, dores, falta de força e desnível nos membros, etc...
Se a escoliose é Não Estrutural pode-se corrigir a curvatura, não totalmente, mas de forma notória. Assim como tratar a sintomatologia associada. Por isso é que referi que não fazia sentido classificar a escoliose Não estrutural como Compensada ou Não Compensada, uma vez que se pode ajudar a corrigir a curvatura não é necessário estar a compensá-la. Até há autores que apelidam a escoliose Não Estrutural como Atitude Escoliótica dado a sua reversibilidade.
Quando a criança aparece com uma escoliose Moderada perto de Grave (ou com um grau de inclinação ainda maior), o trabalho do osteopata está muito dificultado e a cirurgia poderá já ser a única opção. Mas mesmo após a cirurgia o osteopata tem muito trabalho para fazer, na operação cirúrgica trata-se o sintoma e não a causa.
O trabalho do osteopata baseia-se em perceber a desordem que originou a escoliose, corrigir essa desordem e desprogramar o tecido Conjuntivo e todas as cadeias musculares que estão a provocar o encurvamento da coluna. Como em todos os tratamentos osteopáticos, o paciente tem que colaborar, ter uma participação activa no tratamento, alterar as rotinas de forma a progredir para um estado de Saúde desejável.
Estes tratamentos são demorados, e para serem bem feitos deve haver um acompanhamento à criança, desde que foi detetada a alteração até que termine o crescimento. Regra geral a sintomatologia trata-se com mais celeridade, a correção da curvatura demora mais tempo.

Convém percebermos que ninguém se deita um dia bem e no outro dia acorda com uma curvatura de 50º, é uma condição que demora vários anos a formar-se. Um bom osteopata tem competência, tem conhecimentos, tem capacidade para evitar que isso aconteça.

Quanto mais precoce for a vinda à consulta, mais rapidamente se inicia o tratamento, mais rapidamente se impede a progressão da escoliose, e no caso de ser escoliose Não Estrutural mais rapidamente se começa a corrigir a curvatura.

Em seguida deixo uma foto exemplificava de como o tratamento osteopático é bem sucedido.


Foi um caso tratado por um colega meu há quase 20 anos. E não foi dos primeiros, já há várias décadas que se realizam tratamentos deste género. Sim, há várias décadas... Podemos ter uma visão, só dos últimos 20 anos, da quantidade de crianças e adultos que poderiam ter sido beneficiados por este tipo de tratamento.

Então se existem métodos mais eficazes para o tratamento de determinadas patologias, se existem métodos que ajudam as pessoas a obterem Saúde de forma mais rápida, de forma mais humana e eficiente, porque é que se continuam a usar em primeira linha métodos obsoletos? Alguns deles nem deveriam ser usados, outros só deveriam ser usados quando tudo o resto falha-se.
Isto faz-nos pensar que, talvez (talvez), a prioridade do nosso Sistema Nacional de Saúde não é a Saúde dos utentes...

segunda-feira, 3 de março de 2014

Quais os limites da Osteopatia?

É um tema que desde o inicio tenho referido nos textos publicados, não me vou repetir, antes falarei de outros aspetos.

Como terapêutica limitada, a Osteopatia não trata todos os problemas. É indicada para alterações a nível da estrutura, e que afetem o normal funcionamento das articulações e dos Sistemas. Quando essas alterações na estrutura se devem a infeções ou problemas oncológicos, a Osteopatia não está indicada.

Em certos situações posso fazer uso da Reflexologia Podal como um tratamento complementário realizado em conjunto com a Medicina Convencional. Por exemplo, em casos do foro oncológico, obtêm-se resultados bastante satisfatórios, nomeadamente no alivio da sintomatologia produzida pelos tratamento de quimioterapia ou radioterapia, que normalmente são muito agressivos para o organismo. 

Outro aspeto em que a Osteopatia é limitada, é quando a pessoa não tem afinidade com este tipo de tratamento. Muitas pessoas desenvolveram um conceito de Saúde em que há um distanciamento entre o Profissional de Saúde e o paciente, sendo o tratamento feito à base de medicação e não havendo qualquer interação física. A Osteopatia não funciona assim, há uma enorme interação física, e só se recorre ao uso de medicação em casos excecionais. Como todos os tratamentos, requer periodicidade, ora sendo o tratamento realizado pelo terapeuta, serão necessárias várias sessões, dependendo dos objetivos do paciente e do seu progresso. Quero com isto referir que não é a mesma coisa que ir a um médico, estar 15 minutos na consulta, e voltar daí por um ano. A Osteopatia, em especial a que eu pratico, funciona de uma forma totalmente diferente, conforme tenho vindo a demonstrar neste blog.



Aproveito para abordar uma faceta ética da Medicina Alternativa em geral, o paciente deve consciencializar-se e responsabilizar-se pelo seu estado de Saúde, porque, quer queiramos quer não, nós somos responsáveis pela nossa Saúde, e somos nós que nos tratamos (com a ajuda dos profissionais), não são os outros que nos tratam. Por isso ao contrário do que acontece na Medicina Convencional, o paciente é que é responsável pelo seu tratamento, é que decide como quer ser tratado e assume uma parte ativa no tratamento. Não deve nem pode assumir uma posição passiva, responsabilizando o terapeuta por todo o processo que o conduzirá a um estado de Saúde desejável. 

Continuando nos limites da Osteopatia, por vezes acontece que os resultados obtidos não correspondem às expetativas do paciente. Regra geral há sempre uma melhoria dos sintomas apresentados, fazem-se correções na estrutura, a mobilidade aumenta, mas a pessoa quer mais. Bem, quando o corpo atinge um certo estado degenerativo já não é possível retroceder-se e voltar a ser como era antes. Assim como há certas lesões que não podem ser totalmente tratadas. Muitas vezes aquilo que se faz é o máximo que há a fazer. Isso verifica-se quando a pessoa cessa os tratamentos e tem um agravamento do seu estado. Ou seja, quando a pessoa se andava a tratar estava melhor, mas não estava conforme desejava, deixando de se tratar ficou pior do que estava antes. 

Mas há um aspeto em que a Osteopatia é ilimitada! Pode ser aplicada em todas as idades, desde recém-nascidos até idosos. Existem técnicas especificas a serem aplicadas de acordo com as circunstâncias, não sendo a idade um obstáculo ao usufruto dos benefícios da Medicina Manual.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Exames complementares de diagnóstico

"Fui fazer exames, assim que tiver o resultado vou à consulta."

Ao contrário do que acontece com a grande maioria dos profissionais da Medicina Convencional, o osteopata não está dependente de exames complementares para puder exercer o seu trabalho.

A Osteopatia tem um rigoroso leque de testes manuais que me permitem fazer uma correta avaliação, identificado as estruturas que precisam ser corrigidas.
Não só a Osteopatia, como também as demais valências que exerço, estão dotadas de técnicas de avaliação, que juntamente com a anamnese, me permitem avaliar de forma integral o estado de Saúde da pessoa.

Só em determinados casos é que há a necessidade de se realizar algum exame complementar, de modo a confirmar algum tipo de patologia mais grave. Por exemplo, após a pessoa fazer um traumatismo tem que realizar uma radiografia para confirmar a existência ou não de fratura; se há evidência de se ter originado uma hérnia no disco; etc...

Por outro lado se pessoa já tiver feito alguns exames, pode trazer os exames quando vier à consulta, mas na grande maioria das vezes, esses exames não são fundamentais, nem para eu fazer a avaliação, nem para se dar inicio ao tratamento.

Outro aspeto importante é que muitas vezes para o mesmo exame podem haver diferentes apreciações. Significa isto que um profissional de Saúde pode fazer um relatório de determinado exame, enquanto outro, pode ver o exame de outra forma e redigir um relatório diferente. Por isso é sempre bom trazer-se o exame, em vez de se trazer só o relatório, pois infelizmente nem sempre o relatório corresponde ao que realmente está no exame. Com alguma frequência também se verifica que há exames que não são realizados da melhor forma, sendo inconclusivos, e havendo a necessidade de se voltarem a repetir.

Quando a pessoa opta por realizar exames antes do tratamento, ou quando existe mesmo essa necessidade, normalmente recomendo voltar a realizar os mesmos exames depois do tratamento, para perceber as diferenças entre o antes e o depois. Regra geral as diferenças são tão evidentes, e como a pessoa se sente bem, já nem se dá ao trabalho de voltar a realizar os exames. Mas a verdade é que é sempre bom fazer isto, pois é uma forma irrefutável de se mostrar os benefícios da Medicina Manual, ainda mais quando comparada com outros tipos de tratamentos cirúrgicos ou farmacológicos.



segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A importância da avaliação

A avaliação é uma parte fundamental no meu trabalho. Só com uma avaliação rigorosa é que posso definir com precisão qual é realmente o problema da pessoa, o que é que está a provocar esse problema, e qual o método que deverá ser aplicado como tratamento.

Muitas vezes as pessoas querem passar por alto a avaliação e querem ir logo diretas ao tratamento. Mas isso não é possível, eu não posso tratar ninguém sem fazer uma avaliação da sua estrutura.

Não fazendo esta avaliação corro o risco de escolher um método de tratamento que não é o mais adequado, isso pode originar que as melhoras tardem em aparecer, e a pessoa pode até mesmo nem melhorar.
Infelizmente desenvolveu-se nos osteopatas o hábito de fazerem correções ósseas em todo o lado e em toda a gente, muitas vezes sem saberem se é o indicado. As pessoas habituaram-se a ouvir os ossos estalarem, e procuram-nos para ouvir os ossos estalarem. Mas esta é uma prática que não é a mais proveitosa para a nossa estrutura.
Para começar os ossos podem nem estar fora do lugar, a dor ou disfunção pode vir de outra estrutura qualquer. Em segundo, mesmo que os ossos não estejam no lugar, não quer dizer que se devam recolocar, podem estar desviados da sua posição 'normal' para compensar um qualquer desequilíbrio na nossa estrutura. E em terceiro, ao se tratar a origem (causa) do problema, regra-geral os ossos voltam ao seu lugar. As manipulações ósseas devem ser evitadas, e só devem ser realizadas quando estritamente necessário. 

Existem outras pessoas que baseado nisto desenvolveram outro conceito errado da Osteopatia, dizem que já experimentaram Osteopatia, que lhe estalaram os ossos e que ficaram na mesma. Mas problema não está na Osteopatia, está no osteopata que escolheram. Ele não fez uma correta avaliação, quis ir logo ao tratamento, talvez forçado pelas expectativas da pessoa em obter resultados rápidos, originando que não houvessem resultados e a pessoa desenvolvesse um conceito errado da Osteopatia. 

Isto é tudo muito prático e muito bonito quando estamos perantes situações simples e corre tudo bem. Mas quando estamos perante casos complexos, não é com um estalar de ossos que se obteêm resultados. Daí, mais uma vez friso a importância da avaliação, para eu saber em concreto a situação com a qual estou a lidar, e poder definir um protocolo de tratamento que vá ao encontro das reais necessidades da pessoa.

Outro risco de se tratar sem avaliar, é quando eu me deparo com uma pessoa que não posso ajudar. Não vou iniciar um tratamento a uma pessoa à qual não se pode aplicar a Medicina Manual. Mas só após uma avaliação é que posso dizer com certeza se posso ou não ajudar a pessoa.

Conforme já referi nem todos os profissionais de Saúde desenvolvem este rigor em relação à avaliação (não só na Osteopatia como em outras áreas da Medicina), por isso é importante a eleição que a pessoa faz do profissional para cuidar da sua Saúde.