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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Parto

De certo modo, podemos dizer que é aqui que tudo começa, e nada melhor que um bom começo para se poder ter um desenvolvimento saudável. 

Nesta publicação vou-me focar sobre aspetos práticos relativos ao parto. Contudo, e para não variar, este é mais um tema que não reúne consenso. 

Na publicação Gravidez informei sobre os cuidados que se deve ter, a nível da estrutura, para que a gravidez decorra sem incidentes. Obviamente que estes cuidados também se vão refletir sobre o parto. Quando a estrutura está preparada com certeza o parto terá mais probabilidades de decorrer na normalidade, sem qualquer tipo de complicações.

Podemos tomar como exemplo o ultimo osso da coluna, o cóccix, quando este osso não está na posição em que deveria estar, pode obstruir a passagem do bebé, o que obriga a que o médico tenha de o partir, propositadamente, para o parto se poder realizar.

Durante a gravidez também se devem realizar tratamentos específicos visando o parto, tendo em conta todas as estruturas musculares e ligamentares que serão solicitadas - mais diretamente a nível pélvico, abdominal e até mesmo torácico. Se estas estruturas não se encontrarem em condições, devidamente inervadas e tonificadas, irão complicar o trabalho de parto.

O conceito que atualmente a medicina convencional nos transmite sobre o parto, está algo mecanizado. Como se fosse um processo padronizado e totalmente manipulável, em que, entre outros fatores, se pode atrasar ou acelerar, a nosso belo prazer. 

Bem, a verdade é que isso é possível, mas trás consequências, tanto para a mãe como para o bebe. 

Daí surge a definição de trauma do parto. Quando o parto não decorre com a naturalidade que deveria de ocorrer originará transtornos psíquicos na mãe e principalmente no bebé. Há vários estudos publicados que o demonstram.

O parto não pode decorrer da mesma forma em todas as mulheres, é lógico que assim seja, não há duas mulheres iguais, não há duas estruturas iguais, as pessoas reagem de diferentes maneiras ao mesmo estimulo. Por exemplo, há pessoas que não têm qualquer problema em estar num hospital, por outro lado, há muitas pessoas que se assustam só de pensarem em hospitais. Uma mulher que não se adapte ao ambiente hospitalar durante o parto, sofre alterações no sistema endócrino, motivados pelo receio ou fobia, e que se irão refletir no parto.

Existem vários tipos de parto que se praticam na atualidade, e que levam em conta muitas variáveis. Deve-se eleger aquele que se considere ser o mais benéfico, tendo em conta as circunstâncias e levando em consideração as opiniões dos profissionais de saúde que estiverem a fazer o acompanhamento.

Em circunstâncias normais, quando a mãe não sofre de qualquer limitação estrutural, fez uma preparação para a gravidez e consequentemente para o parto, eu defendo que o parto se deve realizar de cócoras e num ambiente afetivo.




É a posição em que permite um maior abertura pélvica, uma vez que se está a operar em sintonia com a gravidade, ocorrendo uma maior extensão da musculatura pélvica. Também origina que as vértebras da coluna lombar adotem uma posição mais favorável de forma a não comprimirem os nervos raquídeos, favorecendo a inervação da tão solicitada musculatura pélvica. Logicamente o parto ocorrerá com mais facilidade e rapidez, não sendo tão doloroso para mãe, e dando lugar a uma melhor recuperação pós-parto.

Relativamente ao uso de forceps ou ventosas (gosto de acreditar que só se recorrem as estes métodos quando não há outra solução) trás sempre consequências no desenvolvimento do bebé. Podem não se manifestar a curto prazo, mas até terminar o crescimento ósseo manifestar-se-ão. É verdade que agora já há forceps com micro-sensores que não permitem que se faça pressão para além da suportável pelo crânio do bebé, mas tanto quanto sei ainda não chegaram cá a Portugal.




Os ossos do crânio são comprimidos provocando alterações diretas no formato do crânio, assim como a nível da circulação do LCR, e no desenvolvimento cerebral. Uma manifestação comprovada é a formação de escoliose idiopática. Ao haver alteração no formato do crânio, um dos principais ossos do crânio, chamado esfenoide, vai sofrer um movimento relativo à sua posição normal, alterando a linha horizontal da visão, e logo toda a estrutura irá arranjar forma de compensar essa alteração. Essa compensação acontece através da escoliose.

Aqui entra em ação a Osteopatia Craniana, através de diferentes manobras é possível devolver um formato fisiológico ao crânio, e restabelecer a correta circulação do LCR no bebé. Um trabalho que após o parto (enquanto os ossos do crânio não estão totalmente ossificados) pode ser feito com relativa eficácia e rapidez, evitando um sem numero de complicações. Este tipo de correção também pode ser realizado durante o crescimento, e até mesmo na vida adulta. Mas quanto mais tempo passar, mais difícil e mais prolongado é o tratamento, além de que, enquanto em bebé é possível realmente corrigir o formato do crânio, em adulto o que se pode fazer é corrigir as tensões provocadas por esse formato patológico.
Infelizmente ainda não vi qualquer Osteopata Craniano empregado numa maternidade em Portugal.

Já tenho ouvido pessoas dizerem que a cesariana é o melhor método, isso só revela uma coisa: ignorância. Primeiro que tudo a cesariana envolve anestesia e uma cicatriz, dois temas que discutirei em futuras publicações, mas como já referi anteriormente, têm impacto negativo no corpo. 
Se a mãe está anestesiada é como se estivesse ausente do parto, sendo o parto um processo que tem como protagonistas a mãe e o bebé, podemos deduzir que vai contribuir para o chamado trauma do parto.
Outro aspeto que contribui para o trauma do parto, é a idade gestacional não ser bem calculada, e realizar-se a intervenção antes de tempo. Isso não contribui só para o trauma, como pode por em risco a vida do bebé.
Há ainda cientistas que defendem como fundamental a passagem pelo canal vaginal, não só para o desenvolvimento da imunidade do bebé, como para o desenvolvimento do crânio.
Não falando no aumento do risco de infeção. 
É verdade que há casos em que a cesariana é a única alternativa, nessa situação é a melhor opção, mas quando se decide optar pela cesariana simplesmente por comodidade considero que é um erro.

Independentemente de como seja o parto, após a gravidez as alterações estruturais que a mulher sofreu não são logo reversíveis. E de acordo com o tipo de parto podem ser mais ou menos acentuadas.
Todas as alterações que descrevi na publicação Gravidez mantêm-se, para além destas, após o parto, normalmente a sínfise púbica desalinha, e a musculatura pélvica, nomeadamente a nível do pavimento pélvico, fica debilitada. Daqui podem ocorrer um sem numero de complicações, desde incontinência, passando por queda das vísceras pélvicas, até alterações no ato sexual. No caso de cesariana, a cicatriz ainda pode originar mais alterações na estrutura.

Quando não se procura acompanhamento, as alterações tanto se podem reverter sozinhas, como não reverter, e até mesmo agravarem com o passar dos anos.

Se este processo for acompanhado por um osteopata, não só é acelerado, como há a garantia de se estar a reverter ao máximo.

domingo, 5 de outubro de 2014

Será que devo ser operado?

É uma pergunta que frequentemente tenho de responder. Obviamente cada caso é um caso, mas existem traços gerais que devem ser tomados em consideração, qualquer que seja a cirurgia.

Muitas vezes falo com pessoas que não sabem porque foram operadas, o que foi feito durante a operação, e chegam ao extremo de nem sequer saberem ao que foram operadas. 

Isto é totalmente inadmissível, e é proporcionado pelas premissas às quais se tem vindo a edificar a medicina convencional em Portugal. Na publicação Quais os limites da Osteopatia? este tema já foi explorado, mas reiterando, na medicina convencional existe uma certa passividade por parte dos pacientes, inculcando toda a responsabilidade nos profissionais de saúde. As consequências estão à vista, há um desconhecimento total dos meios de tratamento ao que os pacientes são sujeitos.

Esta passividade origina que, além de não saberem como são tratados, os pacientes desconhecem os meios de tratamento alternativos. Um médico em Portugal, para se formar, apenas necessita estudar a medicina chamada convencional, não faz parte da sua formação os tratamentos apelidados como alternativos ou complementares. Por isso a partir do momento que o paciente se deixa guiar única e exclusivamente pelo seu médico, já está a pôr de parte uma quantidade de tratamentos alternativos ou complementares que lhe poderiam ser úteis no seu caso. A menos, é claro, que o médico tenha conhecimentos de medicina alternativa, conhecimentos adquiridos facultativamente, pois não são obrigatórios.

Por este motivo insisto numa atitude ativa por parte do paciente, em que se informe e questione sobre qualquer tipo de tratamento que lhe seja proposto. Indo também em busca de alternativas, comparando tratamentos entre si, de forma a eleger aquele que considerar mais lógico, mais adequado, e mais benéfico para a sua saúde (não só a curto e a médio, como também a longo prazo). 




Respondendo diretamente à pergunta inicial, quando a cirurgia é de urgência, regra-geral é eficaz, como por exemplo, no caso em que a pessoa sofre um acidente e necessita ser logo operada.

Quando a cirurgia não é de urgência, é necessário ter em conta os tratamentos alternativos. Já foi comprovado (basta fazer uma rápida pesquisa pela Internet) em vários países, que mais de 50% das operações que se fizeram à coluna tinham tratamento através da medicina manual. Cirurgias realizadas nos diferentes Sistemas do corpo, têm tratamentos alternativos com Naturopatia, ou medicina ortomolecular, etc...

Uma situação que acontece com frequência é a pessoa negligenciar a sua saúde, e deixar-se arrastar até um estado em que a operação é a única solução viável. Porque a partir do momento em que a pessoa assume uma postura preventiva, arrisco-me a dizer, que só em caso de acidente é que precisará de ser operada. A oferta preventiva está muito avançada, existe um conhecimento extremamente amplo daquilo que precisamos para nos manter saudáveis. Atenção que esta prevenção assume muitas formas e é preciso levar em conta todas as variáveis que definem a nossa Saúde.

Mas infelizmente estamos inseridos num sistema de saúde que, regra geral, não leva em conta a prevenção, não está sequer estruturado com esse objetivo. Por isso novamente volto a recomendar que o paciente se imponha, pesquise toda a informação confiável relativa à sua saúde, e opte sempre pela prevenção, não se deixando guiar exclusivamente pelo sistema de saúde ao qual pertence.

Há pelo menos duas coisas comuns a quase todas as cirurgias: anestesia e cicatrizes. São dois temas que devem ser levados em consideração, quando somos confrontados com a decisão de sermos ou não operados, devido ao seu impacto no nosso corpo.