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sábado, 31 de outubro de 2015

Trabalho versus Saúde

Vivemos numa sociedade que contempla as profissões. Muitas das vezes a primeira coisa que nos perguntam, após nos conhecerem, é qual o nosso trabalho ou qual a nossa profissão.

Será que a nossa profissão nos define? Será assim tão importante o nosso trabalho?


Vivemos num sistema controlado pelo dinheiro, atualmente, sem dinheiro não é possível viver. Para muitas pessoas o seu trabalho é apenas um meio de subsistência, uma forma de obterem dinheiro. Muitas delas nem gostam daquilo de fazem, apenas o fazem por necessidade. E quanto maior a necessidade, mais trabalham.

Para outras a sua profissão é uma forma de vida. Dedicam toda a sua vida à profissão, entregam-se completamente ao trabalho, sem nada mais importar.

Também existe quem pura e simplesmente não queira colocar as suas capacidades (inteligência, criatividade, etc...) ao serviço de um sistema controlado por dinheiro, opte por um emprego que a ajude a obter o mínimo de sustento e dedica o resto do seu tempo às causas que acredita.

Independentemente do motivo pelo qual trabalhamos, seja por necessidade ou por prazer, embora não acredite que o nosso trabalho ou profissão nos possa definir, acredito sim que o nosso trabalho nos influencia, talvez não tanto a curto prazo, mas a médio e longo prazo isso é certo. Até certo ponto condiciona a nossa forma de ser, e mais irrevogavelmente condiciona a nossa saúde.

Vou-me limitar a falar na saúde física, nem vou falar na saúde mental, que todos bem sabemos o quanto pode ser afetada pelo nosso trabalho.

A nossa saúde pode ser diretamente condicionada, ou através da alteração da postura.

A postura é a atitude inconsciente que o nosso corpo adota. Na publicação Posturologia escrevi uma definição mais alargada de postura, e como ela é definida. Mas há certos aspetos que a condicionam, e um deles é o nosso trabalho.

Basta pensarmos no numero de horas que passamos a trabalhar, regra-geral, cerca de 1/3 do dia é passado a trabalhar. 8 horas do dia que são passadas a fazer movimentos repetitivos, ou na mesma posição, ou ainda a esforçarmo-nos fisicamente.
Quando fazemos movimentos repetitivos, normalmente desenvolvem-se mais os músculos que são usados com mais frequência, e quando a circulação sanguínea não é feita corretamente nesses músculos, podem-se originar lesões graves. Tanto postura como saúde são afetadas.
Quando passamos muito tempo a trabalhar na mesma posição, ao longo de todo esse tempo há músculos que estão a ser contraídos, e há outros que estão relaxados. Com o passar do tempo certos músculos ficam tensos em demasia, e outros perdem a ação ficando débeis. Estou-me a referir a um processo que demora anos, e que desequilibra completamente a nossa postura. Mais dia menos dia os sintomas acabam por se manifestar.
E o mesmo acontece quando nos esforçamos fisicamente em demasia no nosso trabalho.

Contudo, os efeitos do nosso trabalho podem ser atenuados. O primeiro a fazer é verificar se os elementos que definem a nossa postura estão a funcionar corretamente, deforma a suportarmos melhor o impacto do trabalho no corpo. Se a nossa postura já é má, pior ficará com a agravante do trabalho. Se a nossa postura está relativamente equilibrada, já não iremos notar tanto o efeito do trabalho.

Convém também fazermos algo para estimular todos os músculos que não são solicitados durante o tempo que estamos a trabalhar, e para descontrair os que são solicitados em demasia. Também nos devemos certificar de que não existam bloqueios na estrutura que podem interferir com a circulação sanguínea e linfática, assim como com a comunicação nervosa. Todos estes aspetos são considerados por um osteopata.

Em casos mais extremos poderá realmente haver necessidade de a pessoa mudar de emprego. Não compensa todo o tempo que dedicamos ao trabalho, em troca de dinheiro, se a nossa saúde sair gravemente prejudicada. Pois o que acontece em seguida, é termos de usar o dinheiro que ganhamos a tentar recuperar a saúde que perdemos.

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